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Homilia D. José Cordeiro | Ação de graças pela vida e ministério de D. Manuel de Jesus Pereira [1]Sáb, 18/09/2021 - 20:16

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Igreja Catedral, 18 de setembro de 2021 Ação de graças pela vida e ministério de D. Manuel de Jesus Pereira, 41º Bispo Nascimento 28-01-1911; Presbítero 15-06-1933; Bispo 15-08-1948; Bispo Auxiliar do Funchal (1948-1953); Bispo Auxiliar de Coimbra (1953-1965); Bispo de Bragança-Miranda (20.02.1965 – 11.09.1978); + 11-09-1978 - 18-09-2021 (Catedral)   1. Da Mihi animas O lema episcopal de D. Manuel, tem a sua inspiração atribuída a um Santo Bispo, São Francisco de Sales: «da mihi animas, cetera tolle» (dá-me almas e ficai com o resto, cf. Gn 14,21). O Santo Bispo disse: «Quando fui consagrado bispo, Deus me tirou de mim mesmo para arrebatar-me a Ele e, em seguida, me deu ao povo; ou seja, me mudou para que, o que eu era para mim, o fosse para eles». Esta é a mística do “da mihi animas” vivido por São Francisco de Sales, que São João Bosco deixou como legado à sua grande Família salesiana e D. Manuel escolheu para a sua vida pastoral. João Paulo I, que faleceu 18 dias depois de D. Manuel, apelidou-o de “um dedicado pastor” no telegrama enviado pela Secretaria de Estado. De facto, ele serviu quatro Dioceses, sendo apenas Bispo Diocesano em Bragança-Miranda. Foi Padre Conciliar e como nosso Bispo participou na última sessão do Concílio Vaticano II, sendo depois um dos Bispos que melhor recebeu o Concílio Vaticano II na sua Diocese num desafiante processo de renovação evangelizadora. No seu testamento, que o Mensageiro de Bragança intitulou “testamento humilde de um homem humilde”, escreveu: «às pessoas com que lidei na vida peço que me relevem qualquer falta cometida. Jamais reservei má vontade a ninguém». O nosso jornal diocesano acrescenta: «viveu pobre e morreu pobre. Homem desprendido, viveu e morreu pobre, pois nada tinha de seu, à hora da morte. D. Manuel foi, de facto, grande no desprendimento, e, por isso, mesmo o Senhor não deixará de ter em conta esta virtude». 2. Igreja Catedral – casa mãe O significado e a nobre simplicidade da igreja-Catedral, foi eloquentemente sublinhado pelo D. Manuel: «a Catedral diocesana, Igreja-mãe de todas as igrejas da Diocese, onde o Bispo tem a sua cátedra, foco de luz e de calor». Com efeito, «A catedral é, pois, poderoso símbolo da Igreja visível de Cristo, que nesta terra reza, canta e adora» (São Paulo VI). Aqui, na Domus Ecclesiae, bendizemos a Deus com alegria e esperança. Aqui já nasceram dois Bispos (D. António Montes Moreira e este vosso servidor), alguns Presbíteros, Diáconos, Ministérios e Serviços laicais para o culto e a cultura do Evangelho e tantos filhos da Igreja «como rebentos de oliveira em volta da mesa do Senhor» (Rito da bênção do Altar), na Iniciação Cristã, na Unção dos Doentes, na Reconciliação, no Matrimónio e nos sacramentais, Lectio divina, Liturgia das Horas e outras formas de oração pessoal e comunitária. D. António José Rafael realizou o sonho do projeto de D. Abílio Augusto Vaz das Neves e de D. Manuel de Jesus Pereira. Estes nossos antecessores, juntamente com tantos Presbíteros, Diáconos e Leigos, são os construtores da nossa igreja Catedral. Por isso, o nosso humilde gesto é de justa gratidão a estes três Pastores da nossa Diocese.   3. Senhora Mãe das Graças A devoção a Nossa Senhora era um dos traços característicos da vida espiritual e pastoral do nosso Bispo. Basta pensar na devoção à Senhora da mensagem de Fátima. Nos Evangelhos são seis as vezes em que Maria fala, sempre em poucas palavras, excetuando o cântico do Magnificat. Alguns autores dizem até que falou por setes vezes, sendo a sétima palavra, aquela junto à cruz, a mais eloquente, porque brotou do silêncio. O silêncio de Maria que estava de pé junto à cruz é a “palavra “-síntese de toda a sua vida cheia de amor e esperança. Ela é mãe e crente. No dia 28 de outubro de 1964, escreveu em latim o modus para o capítulo VIII da Constituição Lumen Gentium, acerca da Bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja. A sua intervenção conciliar iniciou assim: «Sempre na Igreja de Deus ouvimos falar de Maria – “de Mariam munquam satis” [de Maria nunca se consegue dizer o suficiente] – “per Mariam ad Jesum” [por Maria a Jesus]», para fazer algumas observações sobre os números 53 e, especialmente, o nº 62, com a redação que depois foi aprovada: «Por isso, a santíssima Virgem é invocada, na Igreja, com os títulos de advogada, auxiliadora, amparo e medianeira. Mas isto deve entender-se de modo que nada tire, nem acrescente, à dignidade e à eficácia de Cristo, Mediador único». Na peregrinação diocesana a Fátima, com 5000 peregrinos, nos dias 12 e 13 de outubro de 1967, a propósito dos 50 anos da s aparições, D. Manuel rezou esta oração: «O Maria, Virgem Imaculada, Mãe de Deus e Mãe nossa. eis-nos aqui, de joelhos diante da Vossa Imagem, no local onde há cinquenta anos Vos revelastes. Somos os Vossos filhos da Diocese de Bragança. Conheceis-nos bem dos Vossos santuários das Graças, da Serra, da Assunção, de Tuizelo, do Nazo, da Ribeira, do Caminho, do Amparo onde tantas vezes carinhosamente nos tendes atendido. Senhora de Fátima, manifestastes o desejo de que o Mundo se consagrasse ao Vosso Coração para obter a paz. Pois bem: a Diocese - Bispo, Presbitério e Povo de Deus - a Igreja de Bragança e Miranda consagram-se inteiramente ao Vosso Coração Imaculado. Mãe da Igreja, confiamos à Vossa guarda os Arciprestados. as Paróquias. as Famílias, os Seminários, as Ordens e Congregações Religiosas. os Organismos, Associações e Movimentos de piedade, apostolado e assistência, as atividades profissionais no ensino, no serviço público. na lavoura, no comércio e na indústria. Medianeira de todas as graças, guiai o Pastor, acompanhai os sacerdotes, encorajai os seminaristas, fortalecei as almas consagradas, esclarecei os leigos, fomentai as vocações sacerdotais, missionárias, Religiosas e de vida consagrada no Mundo; dai-nos uma juventude pura- e com ideal, defendei a inocência das crianças, fazei brilhar o respeito nos lares e a honestidade na vida pública. Senhora da Paz, olhai por aqueles que em terras portuguesas do Ultramar defendem a Pátria e as tradições cristãs. Senhora dos Emigrantes, estai também com aqueles que, fora da sua terra, mourejam na esperança de melhorar o seu nível social. Senhora dos Remédios, dai aos que sofrem a saúde, a resignação. Mãe da unidade, conservai unida a Família Diocesana; queremos estar sempre unidos uns aos outros e aos pastores pelo vínculo da caridade, que assim estaremos com a Igreja, com Cristo, com Deus. Mãe Dolorosa, mostrastes o Coração cercado de espinhos a simbolizar os pecados com que os filhos ingratos pagam as delicadezas do Vosso amor. Ê intenção nossa reparar-Vos dessas ofensas nossas e alheias. Mãe querida, prometemos sincera e humildemente melhorar a nossa vida, não ofendendo a Nosso Senhor «que já está muito ofendido» e esmerando-nos na prática da caridade. Queremos manter-nos firmes na fé, esclarecê-la com o estudo, alimentá-la nas fontes da Vida - na oração, no Terço diário e nos Sacramentos - e dar testemunho dela. Particularmente neste Ano da Fé, na vida familiar, social e pública. Coração Imaculado de Maria, pedimo-Vos, finalmente, que façais chegar este nosso ato de entrega, reparação e propósito por Vós aceite e abençoado ao Sagrado Coração de Jesus, para glória da Santíssima Trindade. Amém». + José Manuel Cordeiro

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