[1]Qui, 02/12/2021 - 23:44
Pedro Strecht, coordenador do organismo, sublinhou importância de «chegar a pessoas», mais do que a números.
O coordenador da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja Católica em Portugal, Pedro Strecht, disse hoje que o organismo que chegar a todas as vítimas, seguindo o lema de ‘Dar Voz ao Silêncio’.
“Apelamos desde já a todas e todos quanto possam ter sido vítimas destes crimes hediondos para que falem. Que relatem, finalmente e sem medo, o que lhes aconteceu”, referiu o responsável, em conferência de imprensa que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
“Mesmo perante naturais hesitações, completamente aceitáveis diante de situações sobre as quais podem ter passado décadas, tocando agora em assuntos que não desejam voltar a fazer emergir, por favor, confiem na vossa voz interior e na utilidade de a partilhar para que nada de semelhante possa continuar a acontecer”, prosseguiu.
O médico psiquiatra apontou como objetivo ‘Conhecer o Passado, Planear o Futuro’, elogiando a liberdade que teve para a escolha de uma equipa multidisciplinar, de “metodologias e timings”.
A Comissão integra, além do seu coordenador, Álvaro Laborinho Lúcio, juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça, antigo Ministro da Justiça; Ana Nunes de Almeida, socióloga e investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e presidente do respetivo Conselho Científico, que coordenou o estudo sobre ‘Maus Tratos a Crianças na Família’, encomendado pelo Parlamento, em 1999; – Daniel Sampaio, psiquiatra, professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina de Lisboa; Filipa Tavares, assistente social e terapeuta familiar, que trabalhou cerca de 25 anos numa IPSS, ‘Casa da Praia/Centro Dr. João dos Santos’ com famílias disfuncionais e de risco; Catarina Vasconcelos, cineasta, licenciada na Faculdade de Belas Artes com pós-graduação em Antropologia Visual no ISCTE e mestrado no Royal College of Art, Londres.
Pedro Strecht observou que é cada vez mais difícil, para cada vítima, com o passar dos anos, “ousar falar”.
“Apenas conheceremos sempre uma pequena parte de tudo o que pode ter acontecido na realidade; ou seja, o que por fim emerge de qualquer estudo ou investigação nunca é tudo, mas sim a parte possível de narrativas de muitos outros que guardam e guardarão para sempre experiências criminosas das quais foram claramente vítimas”, assumiu.
O bispo de Setúbal manifestou a disponibilidade da Igreja Católica em colaborar com o trabalho do novo organismo, com todos “os meios necessários”, quando questionado sobre a eventual abertura de arquivos históricos.
“Como Igreja em Portugal, somos os primeiros interessados em querer lançar luz sobre isso”, sublinhou.
O financiamento da comissão está a cargo da CEP, estando aberta a outras colaborações da sociedade civil, e vai funcionar num espaço “autónomo” e descaraterizado.
Texto/fotografia: Octávio Carmos/Agência Ecclesia

