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Missa do Galo - Homilia de D. Nuno Almeida [1]Dom, 31/12/2023 - 10:24

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Catedral de Bragança, Natal de 2023 (Missa da Noite) Homilia   Queridos irmãos, queridas irmãs!   1.É uma noite de glória, a glória proclamada pelos anjos em Belém. É uma noite de alegria, porque, desde agora e para sempre, Deus, o Eterno, é Deus connosco. É uma noite de luz: a luz, profetizada por Isaías e que havia de iluminar quem caminha em terra tenebrosa (cf. Is 9, 1), manifestou-se e envolveu os pastores de Belém (cf. Lc 2, 9). Os pastores descobrem, pura e simplesmente, que «um menino nasceu para nós» (Is 9, 5) e compreendem que toda aquela glória, toda aquela alegria, toda aquela luz se concentra num único sinal que o anjo lhes indicou: «Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido. Ali está Deus!   2.A celebração do Natal é solene convite a contemplar o Deus Menino que, na sua fragilidade, nos mostra que é no amor que encontramos o sentido da vida. O Menino que nasce interpela-nos: chama-nos a deixar as ilusões do efémero para ir ao essencial, renunciar às nossas pretensões insaciáveis, abandonar aquela perene insatisfação e a tristeza por algo que sempre nos faltará. O mistério do Natal interpela e mexe connosco porque é um mistério de esperança e simultaneamente de tristeza. Traz consigo um sabor de tristeza, já que o amor não é acolhido e a vida é frequentemente descartada. Assim acontece a José e Maria, que encontraram as portas fechadas e puseram Jesus numa manjedoura, «por não haver lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7). Jesus nasce rejeitado por alguns e na indiferença da maioria. E a mesma indiferença pode reinar também hoje, quando o Natal se torna uma festa onde os protagonistas somos nós, em vez de ser Ele.   3.O nosso tempo tornou-se aflitivo, pois acordamos e adormecemos com notícias, relatos e imagens aterradoras que não julgávamos possíveis nem nos nossos piores pesadelos. A terrível escalada das guerras e conflitos desumanos multiplica as vítimas inocentes em todos os lados das trincheiras. “Estamos a navegar num momento tempestuoso e sente-se a falta de rotas corajosas de paz”. Reler estas palavras do Papa Francisco, proferidas na Jornada Mundial da Juventude, faz-nos compreender melhor que temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para despertar e cultivar uma atitude livre e corajosa de promoção da paz. Avivemos a consciência de que a guerra é uma derrota, apenas uma derrota que não resolve os problemas, mas traz mais sofrimento e morte a pessoas inocentes. Mas não podemos desistir de contribuir com a nossa parte para resgatar a esperança. Faz, por isso, ainda mais sentido recordar e repetir as palavras do Papa Francisco: “Numa guerra há apenas um lado possível, o lado da paz”. Todos podemos ser pacificadores nos nossos ambientes, nos círculos em que nos movemos, em tudo o que fazemos e dizemos. A paz no mundo também se constrói a partir de gestos pacificadores e de entreajuda. O diálogo pode também ser uma arma poderosa, para que vença a concórdia.   4.Nesta noite santa de Natal, deixemo-nos tocar pela ternura que salva. Entremos no verdadeiro Natal com os pastores, levemos a Jesus aquilo que somos, as nossas feridas não curadas e os nossos pecados. Assim, em Jesus, saborearemos o verdadeiro espírito do Natal: a beleza de ser amado por Deus. Hoje queremos ter presente na nossa oração a todos e a cada um da nossa comunidade e da inteira família humana, sobretudo os mais velhos, os doentes e todas as pessoas que vivem no sofrimento, na solidão, no isolamento, na prisão, na deficiência, na ignorância, na pobreza, na depressão, no stress, no luto, no desemprego e na migração ou vivem nas periferias existenciais que são invisíveis. Com Maria e José, paremos diante da manjedoura, diante de Jesus que nasce como pão para a nossa vida. Contemplando o seu amor humilde e infinito, digamos-Lhe pura e simplesmente obrigado: Obrigado, porque fizestes tudo isto por mim, por nós!   Meu Senhor e meu Deus, que te fazes pequeno e frágil, ensina-nos a tratar a fragilidade com delicadeza.   Meu Senhor e meu Deus que vens ao mundo sem espaço para te receber, ensina-nos a acolher os que não encontram lugar.   Meu Senhor e meu Deus que chegas de forma simples, mostra-nos como viver o Natal dos pobres, no dar e no receber. Meu Senhor e meu Deus, que nasces debaixo do céu estrelado, ensina-nos a contemplar no meio da tribulação.   Meu Senhor e meu Deus, que trazes luz às trevas da noite, ilumina o que em nós é escuridão.   Meu Senhor e meu Deus que vens para congregar à tua volta, faz de nós instrumentos de unidade e de paz. Amen!   +Nuno Almeida Bispo de Bragança-Miranda ------------ Fotografia: António Rodrigues/Mensageiro de Bragança

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